olvidamento
Os constrangimentos do amor são vários, um séquito de sentimentos desordenados que se impõem sem previsão sobre os corpos.
Não são, de modo algum, um exército burocrático, a se alojar na consciência e tomar-lhe, depois da queda de seu centro, os flancos abandonados...
A razão não bate em retirada a perder seu quartel general, seu controle.
É constrangimento irracional.
Nenhuma ordem.
É convencimento de cada mônada, de cada pêlo.
Tudo é igualmente possuído, passo a passo, por seus batalhões bárbaros.
Subjuga as células inermes, uma a uma.
Não há nenhum argumento que articule justificações, explicações para uma tal humilhação.
É poder capilar, salivar, glandular.
Isso talvez explique o fato do olvidamento ser somente uma liberdade lenta dos membros.
Dos poros, das glândulas. Somente gradual.
Modorrenta desintoxicação.
Sai da consciência o jugo sem que abandone a presença dispersa no corpo.
Logo, há uma certa perda da memória, perde-se a consciência onipresente do algoz.
Perdem-se, depois, a compulsão, o vício, a doença reificante.
Podem-se até fruir certos encantos que outras mulheres nos reservam.
Permanecem, porém, sempre pestilentos outros recônditos da memória.
No abrigo mnemônico da nossa biologia habita sempre ainda o poder velado da invasão.
Cicatrizes, odores, sabores, mesmo aqueles mais insípidos.
Os domínios da intimidade.
Os atos secretos, as reações subterrâneas despertadas pelo mais tênue estímulo são capazes de fazer-nos tremer.
Ao pronunciar de uma palavra os ouvidos fazem presentes sentimentos que aparentemente não mais habitavam nossos segredos.
Uma presença perene: é esta a verdade.
Apenas o subterfúgio dos ardis que aprendemos a nos impor para enganar-nos é o que resta como enfrentamento a essa perda parcial do domínio sobre nosso próprio corpo.
Talvez a cada amor reste um pouco de nós mesmos esquecido. Ao fim, talvez reste nem mesmo qualquer possibilidade de exercício de soberania, e vai-se já a própria consciência.
Não são, de modo algum, um exército burocrático, a se alojar na consciência e tomar-lhe, depois da queda de seu centro, os flancos abandonados...
A razão não bate em retirada a perder seu quartel general, seu controle.
É constrangimento irracional.
Nenhuma ordem.
É convencimento de cada mônada, de cada pêlo.
Tudo é igualmente possuído, passo a passo, por seus batalhões bárbaros.
Subjuga as células inermes, uma a uma.
Não há nenhum argumento que articule justificações, explicações para uma tal humilhação.
É poder capilar, salivar, glandular.
Isso talvez explique o fato do olvidamento ser somente uma liberdade lenta dos membros.
Dos poros, das glândulas. Somente gradual.
Modorrenta desintoxicação.
Sai da consciência o jugo sem que abandone a presença dispersa no corpo.
Logo, há uma certa perda da memória, perde-se a consciência onipresente do algoz.
Perdem-se, depois, a compulsão, o vício, a doença reificante.
Podem-se até fruir certos encantos que outras mulheres nos reservam.
Permanecem, porém, sempre pestilentos outros recônditos da memória.
No abrigo mnemônico da nossa biologia habita sempre ainda o poder velado da invasão.
Cicatrizes, odores, sabores, mesmo aqueles mais insípidos.
Os domínios da intimidade.
Os atos secretos, as reações subterrâneas despertadas pelo mais tênue estímulo são capazes de fazer-nos tremer.
Ao pronunciar de uma palavra os ouvidos fazem presentes sentimentos que aparentemente não mais habitavam nossos segredos.
Uma presença perene: é esta a verdade.
Apenas o subterfúgio dos ardis que aprendemos a nos impor para enganar-nos é o que resta como enfrentamento a essa perda parcial do domínio sobre nosso próprio corpo.
Talvez a cada amor reste um pouco de nós mesmos esquecido. Ao fim, talvez reste nem mesmo qualquer possibilidade de exercício de soberania, e vai-se já a própria consciência.

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