Quinta-feira, Julho 22, 2004

Teologia do Belo

A beleza de certa forma me atinge de maneira mais pungente que qualquer outra coisa que se nos pode chegar desde o mundo. Não é discursivamente que a apreendo, assepticamente, julgando-a como se fosse determinável: necessitante e necessitado. É aterrorizado que sinto me faltarem os argumentos para categorizá-la. Nada há que faça explicar o que se me passa. Mais. Não há como interceder em meu espírito no sentido de tal ou qual atitude, por ser mais adequada, mais justificável. Não há motivações racionais a serem expostas. Apavoro-me. Cálido, represento-me toda a simplicidade da percepção imediata e absoluta do indescritível.

É uma intuição concentrada, total. Não há como afastá-la, analiticamente, em suas partes e fazê-la mais compreensível. Não há o que retirar da imediatez do choque pasmado de uma percepção que consome a completude dos recursos sensíveis disponíveis. Nenhuma dotação característica que possa ser subsumida num universal frio, numa categoria como altura, massa, qualidade...  Definitivamente não se podem saber de causas ou efeitos. Nenhuma explicação se apresenta razoável...  Foi-se já o transcendental, resta apenas a Teologia, a Religiosidade. É pura violência.

A conseqüência é apenas a divinização. A nomeação, a denotação daquele transbordamento  perceptivo tranforma-se na espontânea manifestação da alma em forma de mito. A contemplação paralisada é a última reação do espírito a quem resta apenas nomear. Chama-se tudo aquilo: paixão.

E se sucede um afastamento. Um necessário desconhecimento. Involuntário e coercitivo desconhecimento. A beleza significará sempre apenas a sua Deidade. No corpo restam as contenções à circulação dos humores da racionalidade: o frio.

Aí reside a distância que se me impõe. Qualquer outra ação seria de extremo perigo. Quais os meios de intervenção segura na seara poderosa da Magia?
 Resta-me apenas a transformação silenciosa. A divinização da paralisia. A frustração se acomoda. A inquietação se esvai na passagem sutil que se empreende entre a intuição destrutiva daquele completo desconhecido à sua condição tranqüila de mito. Só o que há a fazer é seguir, sem que se pronuncie seu nome.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Que bosta, hein...

23 de fevereiro de 2005 11:44  

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