Segunda-feira, Julho 05, 2004

Saias

Adoráveis seios,
Permitam-me falar de algo que desconheceis. Algo grandioso e lascivo que ignorais, seja porque estais sempre em evidência desde a adoção permanente dos decotes, seja porque só tendes olhos para vossos próprios mamilos. Anueis em ouvir a respeito de algo sobre o que sempre fizestes sombra e desprezates, do alto de vossa montanhosa altivez. Sufocai, carnosos seios, vossa petulância de vanguarda da mulher e deixai-me discorrer sobre o impetuoso desejo provocado pelas saias, enquanto vos acaricio lubricamente.
Quão grande é o sacrilégio das mulheres que não usam saias. Presas prediletas da farsa da moda e da insinuação decadente das calças coladas, tidas como segunda pele por quem não tem decência, senso estético e sensatez. Vulgares, levianas, insípidas, acreditam que a sedução está na revelação direta do corpo. Desprovidas de erotismo, carne tóxica vendida em açougues, abominações só não mais odiáveis que a própria privação sexual, que leva invariavelmente ao onanismo, este sempre preterível.
As saias, intumescentes seios, são o mais belo véu da mulher, gracioso abrigo de fluídos extasiantes, guardião indelével do pecado. Uma saia desenvolta ao vento é preferível a qualquer acessório colorido ou falsamente encantador, como os saltos altos, elevadores sociais usados por fêmeas de ascendência plebéia. Modeláveis ao corpo e ao espírito, as saias fazem flutuar as essenciais criaturas que as vestem, elevam-lhe a alma à convivência com os nimbus, desferem-lhes candura e paixão.
Preferencialmente longa e solta, essa indumentária possui propriedade rejuvenescedora, inebriante. São a elegância dotada apenas às mais augustas mulheres, incalcançáveis àquelas imolestáveis e exageradas facções do gênero feminino que espremem suas calculadas formas em tiras asfixiantes.
Vedes, amáveis seios, que, no fim das contas, tudo se reduz, se explica e se origina por nossa acalentada esperança de que, em algum momento de nossas vidas, ela esteja lá, caminhando sobre a calçada, e que, no instante em que passe o metrô na galeria subterrânea, irrompam ventos furiosos das entranhas da terra para contemplar nosso único e derradeiro desejo, o de ver suas pernas macilentas se revelarem por sob os panos bordados da saia, e assim tornamo-nos só volúpia.

6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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5 de julho de 2004 18:52  
Anonymous Anônimo said...

Isso quer dizer o que? Que tu prefere chupar um peitinho em vez de comer uma bucetinha por trás e passando as mãos na perna dela?

5 de julho de 2004 18:53  
Anonymous Anônimo said...

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5 de julho de 2004 18:53  
Anonymous Anônimo said...

saia é ótimo,mas experimenta usar uma num ônibus lotado? :p

ass: julieet

10 de julho de 2004 18:30  
Blogger Dado said...

Itaca is the president? Muito revelador esse negócio de usar um nick feminino. Num dá idéia pros Símios Julia, a galera vai ficar catando menina de saia em ônibus lotado agora.

26 de julho de 2004 15:53  
Blogger símio said...

é nao, mago... "itaca" na verdade é para quando formos postar textos coletivos... mas o texto de merda a que vc esta se referindo é meu mesmo. é pq eu ainda nao sabia usar direito essa engenhoca...
dado e julieet, nossos únicos pacientes e tolerantes leitores, obrigado pelos comentários!

29 de julho de 2004 12:20  

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